Correndo atrás do prejuízo

Dando continuidade ao texto que falava da I-lógica da Língua, gostaria de fazer uma defesa ao "coitado" do Galvão Bueno. Coitado em um sentido figurado, é óbvio, afinal ele deve ganhar por mês o que não ganharei em minha vida inteira... O adjetivo foi empregado com o sentido de "perseguido", principalmente por professores de Português que adoram criticar suas famosas construções como "CORRER ATRÁS DO PREJUÍZO".
Posso dizer que, como bom "Piquetista", não morro de amores pelo Galvão, mas também não posso aceitar que uma construção utilizada por todo o povo brasileiro seja tão criticada por alguns "colegas" de profissão a ponto de ser até substituída por "CORRER ATRÁS DO LUCRO"(!?!). Pode?
Só de escutar uma coisa dessas, nossos ouvidos já doem, ou não?
Não é natural falar dessa maneira e, além do mais, é uma construção muito ruim do ponto de vista da própria lógica sintática que esses "críticos" tanto apregoam.
Vejamos:
Por que uma pessoa correria atrás de um prejuízo?
Esse é o argumento dos "gramáticos", mas é partindo daí que defendo a construção.
Ora, o termo "do prejuízo" só pode ser um circunstancial de CAUSA e não de finalidade, como diriam os juízes da Língua. Pois eu, advogado de defesa, diria que "correr atrás do lucro", é que seria uma grandissíssima bobagem a ser dita, já que é claramente REDUNDANTE!!!
Se todo mundo corre atrás do lucro, não há razão para dizer isso. Só "correr atrás" seria mais que suficiente.
Para mim (e acredito que para qualquer pessoa com bom senso linguístico) "correr atrás do lucro" tem o mesmo valor que "subir para cima" ou "cair um tombo".
Já a construção "correr atrás do prejuízo", muito mais lógica, explica o porquê de correr atrás. Ilógico é não perceber isso.
Isso também vale para o "risco de vida" que NUNCA causara confusão. Todos sabiam que o risco era de PERDER a vida. É que o verbo ficava subentendido!
É lógico que não existe risco de viver, logo não há lógica em interpretar isso. Só uma "toupeira", se me desculpem a expressão, faria essa interpretação, alguém que não sabe a diferença entre a vida e a morte.
Agora temos que ouvir o "Willian Bonner" falando "risco de morte". Pode? Expressão vil e infame, pra dizer o mínimo!
Infame porque odioso e vil porque malvada, preconceituosa. São essas "correções" que REDUZEM o valor expressivo de uma palavra, de um texto.

Pior é que depois, esses mesmos profissionais, que na prática só valorizam as construções literais, enchem a boca para diminuir o valor de um "Rap" e valorizar Chico & Caetano e afins.

Cadê a lógica disso?

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